Roberto Pessoa
Azulejos portugueses: a arte que conta a história de Salvador nas paredes
Patrimônio

Azulejos portugueses: a arte que conta a história de Salvador nas paredes

20 de abril de 2025azulejosarte colonialpatrimônioigrejas

Arte em cerâmica que atravessa séculos

Quem visita as igrejas e casarões coloniais de Salvador não pode deixar de notar os painéis de azulejos que decoram paredes, claustros e fachadas. Esses azulejos, importados de Portugal ao longo de três séculos, são muito mais do que decoração — são documentos históricos pintados em cerâmica.

Roberto Pessoa guia seus visitantes por esses painéis, revelando histórias bíblicas, cenas do cotidiano colonial e técnicas artísticas que viajaram de Lisboa a Salvador nos porões dos navios.

O que são azulejos

A palavra "azulejo" vem do árabe "az-zulayj", que significa "pedra polida". A técnica de revestir paredes com cerâmica pintada e vidrada chegou à Península Ibérica com os mouros e foi aperfeiçoada pelos portugueses a partir do século XV.

Os azulejos mais comuns em Salvador são os de padrão azul e branco, produzidos nos séculos XVII e XVIII. Mas também há exemplares policromados (em várias cores), tapetes geométricos e painéis narrativos que contam histórias religiosas e históricas.

Onde encontrar em Salvador

Os melhores conjuntos de azulejos de Salvador estão em:

  • Igreja e Convento de São Francisco — painéis que retratam cenas da vida de São Francisco de Assis e alegorias morais
  • Igreja da Ordem Terceira de São Francisco — fachada única em estilo plateresco com detalhes em azulejo
  • Convento do Carmo — claustro com painéis narrativos do século XVIII
  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos — exemplos de azulejaria popular

Cachoeira e Santo Amaro

Fora de Salvador, as cidades do Recôncavo também guardam tesouros em azulejo. Em Cachoeira, a Igreja da Ordem Terceira do Carmo possui painéis excepcionais. Em Santo Amaro, casarões coloniais preservam padrões que já desapareceram de Portugal.

Preservação e desafios

Roberto alerta para o estado de conservação preocupante de muitos painéis. A umidade, a poluição e o descuido ameaçam azulejos que sobreviveram a séculos de intempéries. Alguns foram roubados ou vandalizados. A preservação deste patrimônio é uma luta constante.

Arte para ser lida

Os azulejos não foram colocados ali por acaso. Em uma época em que a maioria da população era analfabeta, os painéis narrativos das igrejas funcionavam como "bíblias visuais" — contavam histórias sagradas por meio de imagens que qualquer pessoa podia entender.

Conhecer os azulejos de Salvador é aprender a ler uma linguagem visual que atravessa séculos e continentes.